6.25.2017

Temer age cada vez mais como ditador


REUTERS/Ueslei Marcelino

  Ao ler, agora há pouco, notícias a respeito do Trumpcare  (o SUS deles) fiquei pensando nas diferenças entre a política americana e a brasileira.
   Gostemos ou não dos Estados Unidos não há como contestar que é um país democrático. Nunca houve uma ditadura por lá. De democracia eles entendem.
   Dizia a notícia que o líder republicano ainda não anunciou o projeto de Trump em sua totalidade e quatro senadores do seu partido já tinham objeções ao texto.
   E ninguém os pressionou a mudarem de opinião. Seja seus líderes ou o líder máximo da nação.
   Em outras palavras: não é porque o projeto foi elaborado pelo governo, que é republicano, todos os senadores republicanos têm que votar em bloco a favor.
   Ninguém interfere na liberdade de pensamento dos senadores.
   Quanta diferença com o modelo brasileiro! Aqui, a reforma trabalhista tem que ser aprovada às cegas, tal como veio da Câmara e os senadores não podem dar um pio.
   Isso os desmoraliza e os transforma em vaquinhas de presépio, em vassalos do rei.
   Se o senador não pode pensar por si seu mandato perde a razão de ser.
   As pressões não vêm só da liderança. O próprio presidente atua para retaliar os dissidentes, ignorando a constituição que estabelece a harmonia e a independência entre os três Poderes.
   E negocia cargos em troca de votos, deixando bem claro que não quer que o senador vote por convicção e sim por imposição.
   Em vez do diálogo, do debate democrático, do livre pensar, o que prevalece é a lei do tacão, a chantagem, a intimidação.
   Ou o sujeito vota o que o presidente quer ou seus indicados perdem os cargos que ganharam.
   Temer tenta, dessa forma, impor o pensamento único, primeiro em seu partido, depois em toda a nação, o que é a base de um regime autoritário.
   Temer age cada vez mais como ditador

Fachin consulta colegas do STF sobre rito de ação contra Temer


247 - Na iminência de receber denúncia do procurador geral da República, Rodrigo Janot, contra Michel Temer, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato e das ações a partir das delações da JBS no Supremo Tribunal Federal, ainda tem dúvidas sobre que rito adotará para o caso, que é inédito.
Segundo a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, Fachin consultou colegas de Plenário no STF sobre o assunto. Há dúvidas se ele deve abrir prazo para defesa antes de enviar o pedido ao Congresso.
"A oposição a Temer na Câmara vai fazer barulho para tentar impedir que a votação da denúncia de Janot contra o presidente seja feita a toque de caixa. Deputados articulam para que a sessão no plenário seja lenta e desgastante. Os oposicionistas lembram que a sessão do impeachment de Dilma Rousseff durou três dias", afirma a coluna da Folha.

Brasileiro não acredita na retomada econômica

Vendida pela mídia como principal argumento em favor do golpe parlamentar contra a presidente Dilma Rousseff, a retomada da economia, sob o governo de Michel Temer, se consolida como fraude na cabeça do brasileiro; segundo pesquisa do instituto Datafolha, divulgada neste domingo, 25, 54% dos brasileiros acreditam que a taxa de desemprego, que está em absurdos 13,6%, vai aumentar mais; outros 55% da população acreditam que os preços aumentem daqui para frente; sobre o poder de compra dos salários, 41% disseram que ele vai cai ainda mais
Pesquisa do instituto Datafolha divulgada neste domingo, 25, mostra que a tão falada retomada da economia, vendida pela mídia como principal argumento para consolidar o golpe contra a presidente Dilma Rousseff, se consolida como uma fraude na cabeça do brasileiro. 
Segundo a pesquisa, 54% dos brasileiros espera que o desemprego, que já atinge mais de 14 milhões de pessoas sob o governo de Michel Temer,vai aumentar mais. Apenas 21% afirmam que o desemprego vai cair. 
Em relação à inflação, 55% da população espera que os preços aumentem daqui para a frente. A expectativa contraria a trajetória do indicador, em queda últimos meses -em maio, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) foi de 3,60% no acumulado em 12 meses, menor taxa em uma década.
Sobre o poder de compra dos salários, 41% dos entrevistados disseram acreditar ele vai cair ainda mais. Outros 29% acreditam que ele vai ficar como está e outros 26% afirmam que ele vai aumentar.
A pesquisa do Datafolha foi realizada entre os dias 21 e 23 de junho.



O País em busca de uma saída






Beto Barata

O Brasil viverá, já no início desta semana, uma situação inédita. Pela primeira vez, um presidente da República, em pleno exercício do mandato, será denunciado por corrupção passiva, quando o procurador-geral Rodrigo Janot vier a apresentar sua peça acusatória contra Michel Temer. Janot deve alegar que a mala de R$ 500 mil em propinas da JBS, que levou à prisão o ex-assessor palaciano Rodrigo Rocha Loures, tinha Temer como destino final. Além disso, deve apresentar duas outras denúncias – uma por obstrução judicial, relativa à compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, e uma por organização criminosa.

Acossado por todos os lados, Temer viu sua aprovação cair a míseros 2% na última semana, o nível mais baixo já registrado na história do País. Ou seja: sua situação deplorável amplia os custos políticos para todos os que decidirem se manter no barco. Coincidência ou não, o PSB, que apoiou o impeachment sem crime de responsabilidade contra a presidente Dilma Rousseff, não só desembarcou como, em pleno horário eleitoral, pediu renúncia e diretas-já. Aguarda-se agora, com certa ansiedade, a posição do PSDB, cujo presidente de honra, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, dizia aguardar um documento jurídico, para decidir que rumo tomar em relação à sua "pinguela".
A tendência, portanto, é o desembarque também dos tucanos. Um de seus nomes em ascensão, o prefeito João Doria, afirmou, claramente, na última semana, que o apoio do PSDB a Temer não é infinito. Por isso mesmo, já há uma percepção clara, entre os agentes econômicos, de que Temer será incapaz de entregar as reformas prometidas. Não apenas porque lhe falte legitimidade, mas sobretudo porque a agenda central de sua administração passou a ser a própria sobrevivência, com a busca de votos para barrar as três denúncias de Janot.
Em meio a esse espetáculo deplorável, o Brasil sangra em todos os campos. Na economia, depois de quedas recordes do PIB em 2015 e 2016, as estimativas para este ano já foram revistas para baixo e andam perto de zero. Na diplomacia, o Brasil, até recentemente a "bola da vez", foi retratado pelo jornal francês Le Monde como uma "estrela pálida". Na Noruega, as autoridades não se constrangeram em cortar pela metade repasses de um fundo de combate ao desmatamento, no momento em que Temer visitava o País.
O resumo da ópera é que o Brasil nunca viveu uma situação tão melancólica e deprimente em toda a sua história. Como espectadora desse espetáculo, a sociedade já deixou claro o que deseja em diversas pesquisas: um reencontro com a democracia, por meio de eleições diretas imediatas – um tema que divide a direita brasileira. Enquanto tucanos temem a volta de Lula, que aparece em primeiro nas pesquisas, e não ficaria inabilitado, mesmo sendo condenado pelo juiz Sergio Moro, o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) argumenta que Temer, rejeitado por quase todos os brasileiros, é hoje o maior cabo eleitoral do PT

Eleitores tucanos querem a expulsão de Aécio

Lula Marques/Agência PT
Uma pesquisa interna do PSDB é devastadora para o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG); ela aponta que 61% dos entrevistados defendem o afastamento imediato de Aécio do partido; o levantamento também apontou que 61% votaram nele no primeiro e no segundo turnos – e ainda assim querem sua expulsão; entre os entrevistados, 37% defendem que se espere o fim das investigações e 7% não se manifestaram; na última semana, Aécio teve boas notícias: sua irmã Andrea e seu primo Fred foram soltos e passaram para prisão domiciliar, enquanto um de seus inquéritos foi sorteado para o ministro Gilmar Mendes, que tem sido um tradicional aliado do PSDB na suprema corte; apesar da pesquisa, Aécio não pretende renunciar à presidência nem se desfiliar