6.16.2016

Discussão em audiência da "lava jato" Em vídeo bomba, advogados enfrentam Moro em audiência da Lava Jato e o acusam de conduzir um processo ilegal




13 de maio de 2015 às 23h14






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Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil, via Fotos Públicas


Advogados acusam Moro de conduzir um processo ilegal


De O Cafezinho, via GGN


Uma leitora amiga me manda um vídeo impressionante, que traz os
advogados de Fernando Soares, um dos réus da Lava Jato, protestando
veementemente contra as artimanhas do Ministério Público e do juiz
Sergio Moro para enganar a defesa e manipular o processo.



A cena do vídeo é uma sala da 2ª Vara Federal de Curitiba, e os
personagens principais são Sergio Moro, dois advogados de defesa, e um
procurador que não aparece no vídeo.



Em determinado momento, um dos procuradores ofende o advogado, falando em chicana. Joaquim Barbosa, realmente, fez escola.


O advogado, porém, responde à altura.


São dois advogados. O segundo a falar é Nelio Machado, um dos maiores
criminalistas do país, que denuncia: nunca, diz ele, em 30 anos de
profissão, testemunhei um desrespeito tão gritante à Constituição e ao
direito da defesa.



Machado falou que até mesmo a Constituição do Estado Novo, de
inspiração fascista, trazia garantias na lei que respeitavam a defesa
dos réus, garantias estas que Sergio Moro tem agredido sistematicamente,
com vistas a promover, sabe-se lá com que intenções, um circo
midiático-judicial.



(Sobre Nélio Machado, ler esse post, do professor Rogério Dultra).


Talvez Moro tenha intenção de seguir o exemplo de Ayres Brito e
escrever o prefácio do próximo livro de Merval Pereira, e ganhar uma
sinecura de luxo no Instituto Innovare, da Globo.



Machado explica ainda ao procurador mal educado e ignorante que o
Ministério Público, segundo a Constituição cidadã de 88, tem como dever
auxiliar a justiça. O procurador não é um justiceiro cuja função é
apenas acusar. Sua função não é ver o réu como um “inimigo” a ser
esmagado a qualquer custo. Não. Sua função, assim como a do advogado, é a
de defender a lei.



“Não existe hierarquia entre advogado e Ministério Público, ambos são auxiliares da lei”, ensinou Machado.


O vídeo é uma bomba.


É notório, no vídeo, que Sergio Moro não atua como magistrado, mas
como um rancoroso beleguim, um verdadeiro inimigo do réu e dos advogados
de defesa, imitando o estilo Joaquim Barbosa.



Emblemático que ambos, Joaquim Barbosa e Sérgio Moro, tenham ganho o
prêmio Faz Diferença da Globo. Quer dizer, prêmio não. Propina. O prêmio
Faz Diferença deveria ser encarado como propina e os magistrados que o
recebem deveriam ser acusados de corrupção, porque é um prêmio que vale
mais que dinheiro. Com esse prêmio em mãos, os magistrados podem ganhar
dinheiro como celebridades políticas, fazendo palestras pagas com
dinheiro público, como está fazendo, sem nenhuma vergonha, Joaquim
Barbosa.



Qualquer um pode ganhar prêmio: políticos, empresários, artistas.
Juiz não. Juiz não deve ganhar nenhum prêmio. O que ele faz é um dever
público, uma obrigação, pela qual recebe os maiores salários e as
maiores regalias oferecidas pelo contribuinte a um servidor: almoço,
transporte, habitação até roupa grátis, longas férias anuais.



Por tudo isso, juízes tem de ser sérios, moderados e justos. Nunca
devem se deixar levar por pressões de mídia e jamais devem se portar
como acusadores ou inimigos dos réus.



A outra notícia bombástica é um regaste de uma informação publicada, ano passado, num dos blogs da Carta Capital.


O post confirma uma denúncia que já fizemos aqui, com base num
depoimento de Roberto Bertholdo, advogado condenado na 2ª Vara Criminal
de Curitiba, onde atua Sergio Moro.



Segundo consta em matéria da Folha de
11 de março de 2006, Bertholdo declarou que seria “condenado por um
esquema montado na 2ª Vara Federal Criminal, que criou a ‘indústria da
delação premiada’. Segundo ele, Youssef entregou doleiros no Brasil
inteiro e se apropriou de seus clientes.”



Eu gostaria de saber: nenhum jornal jamais quis saber a validade
dessa denúncia? Que indústria da delação é essa? E que história é essa
de que o esquema foi montado dentro da 2ª Vara Federal Criminal, a mesma
onde atuava e atua Sergio Moro?



Não vale falar que Bertholo é um condenado. Se a voz de Youssef é
ouvida pela justiça, pelo ministério público e pela imprensa, porque não
ouvir Bertholo?



A matéria publicada num dos blogs da Carta Capital, o blog do Serapião, confirma a denúncia de Bertholdo.


Youssef delatou os principais doleiros do país, por ocasião da
“delação premiada” que lhe foi oferecida por Moro e pelos mesmos
procuradores que hoje integram esta conspiração judicial em que se
transformou a Lava Jato.



O doleiro vem operando, há tempos, como o personagem da série Black
List, estrelada por James Spader: manipulando a delação para jogar o
Estado contra seus inimigos e concorrentes, e beneficiar a si mesmo.



O “prêmio” que Youssef obteve, após suas primeiras delações, feitas
em 2003, para o mesmo Sergio Moro, não foi uma mera redução de pena. Foi
muito mais! Youssef tornou-se o maior doleiro do país, e ampliou suas
conexões ilegais com figuras estratégicas da elite política.



É incrível que depois de ter feito isso, Youssef ainda tenha
credibilidade na mídia e lhe seja oferecida novamente o privilégio da
delação premiada, pelo mesmo Sergio Moro e pelos mesmos procuradores!



A indústria da delação premiada não só dá lucro como parece ser
intocável! O sujeito delata seus concorrentes, conta um porção de
mentiras à justiça, é solto, volta a roubar, agora na condição de maior
doleiro do país, e se torna um heroi da mídia, sendo paparicado
novamente por um juiz supostamente vingador e procuradores midiáticos
(os mesmos da primeira delação!), e tudo porque aceita representar, com
seu imenso talento para manipulação e a mentira, o papel de pivô de uma
conspiração judicial.



A Lava Jato é uma repetição grotesca do que aconteceu na Ação Penal
470, e traz vários personagens repetidos, a começar por Sergio Moro, que
escreveu o texto fascistoide com o qual Rosa Weber condenou Dirceu:
aquele que traz uma frase que resumirá toda uma era de arbítrios
midiático-judiciais: “Não tenho provas contra Dirceu, mas vou condená-lo
porque a literatura assim me permite”.



Crédito do vídeo: Nilton Araújo. O original, mais longo, foi publicado no site Consultor Jurídico.



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